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O agronegócio no mundo moderno e globalizado vem crescendo cada vez mais de forma intensiva e especializada, tanto nos países desenvolvidos como em grande parte dos que se encontram em desenvolvimento. O Brasil dos contrastes entre a era da enxada e da tração animal e a modernização não foge ao contexto dos desafios dessa modernidade e se depara, no presente, com a instrumentação, a automação e a mecanização agrícola. Entretanto, inserido nesse cenário da transformação mundial, necessita de incentivos constantes para não o perder de vista. Organizar e otimizar recursos humanos, financeiros e materiais, num verdadeiro esforço de parceria multiinstititucional, reunindo equipes de pesquisa e desenvolvimento interdisciplinares, passou a ser o grande desafio dos dias de hoje. A Embrapa, cônscia dessa realidade, traz como missão em seu Plano Diretor a busca de soluções para o agronegócio nacional (Embrapa, 1998, 1999).
A transformação dos paradigmas atuais para o setor é também encontrado no próprio Plano Plurianual do Governo Federal do Brasil, PPA 2000-2003, (Brasil, 1999), onde se estabeleceu que os programas voltados à área agrícola devem buscar o aumento da produção agropecuária do país, com o conseqüente reflexo na geração de emprego e renda, bem como garantir o equilíbrio entre oferta e demanda interna de alimentos, além de aumentar as exportações. Dentro dessa visão de modernidade, os programas incluem metas que envolvem o desenvolvimento tecnológico para a automação de processos na produção agropecuária, o desenvolvimento de metodologias avançadas para o agronegócio e o desenvolvimento de sistemas de rastreamento e tomada de decisão, bem como o desenvolvimento de modelos, sistemas, sensores, métodos, equipamentos, máquinas e implementos que levem a bons índices de produtividade e sustentabilidade sem comprometer as próximas gerações, onde mais que um desafio, constitui o cenário de uma nova realidade.
Em sintonia com essa nova realidade e buscando as estratégias para as soluções desses novos e futuros desafios, encontra-se a Embrapa Instrumentação Agropecuária, que é um centro temático da Embrapa, caracterizando-se como uma instituição de ciência e tecnologia em instrumentação voltada principalmente para o desenvolvimento econômico e social auto-sustentado do agronegócio brasileiro.
Desde a sua fundação, em 1984, antecipou-se às mudanças do cenário agropecuário mundial buscando estabelecer um protocolo de trabalhos básicos e de fronteira com vistas ao terceiro milênio. Possui uma equipe interdisciplinar formada por engenheiros eletrônicos, mecânicos e de materiais, físicos e bioquímicos, que trabalham integradamente com agrônomos, veterinários, biólogos e outros profissionais da Embrapa e do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA).
Dentre os trabalhos desenvolvidos desde a sua criação, subdivididos em metodologias avançadas, sensores e instrumentos, destacam-se métodos pioneiros e equipamentos de interesse para laboratórios, agroindústrias e produtores rurais.
Nesses destaques se incluem exemplos de metodologias como: tomografia de raios X e gama e ressonância magnética nuclear (RMN) para análise de solos e plantas; as espectroscopias de ressonância magnética nuclear (RMN), ressonância paramagnética eletrônica (RPE) e de infravermelho para a análise de proteínas, matéria orgânica de solos e pesticidas; a espectroscopia de emissão de raios X por indução por partículas (PIXE) para análise elemental de solos e plantas, com possibilidade de medir macro e micronutrientes e metais pesados, de solos e plantas; técnicas de digitalização e reconstrução de imagens para avaliação de área de cobertura vegetal, contagem de raízes, medida do volume de gotas de chuva natural e artificial para desenvolvimento de aspersores e estudos de erosão, selamento de superfície ou quebra de agregados em solos; simulação e modelamento de fluxo de água e pesticidas em solos; técnicas de microscopias de varredura por sonda para análise de vírus, bactérias, materiais sintéticos e naturais; polarografia para análise de herbicidas, entre outras.
Entre os instrumentos desenvolvidos se encontram: minitomógrafo de raios X e gama para determinação de densidade, umidade e compactação de solos; tomógrafo portátil para uso no próprio campo para análise de densidade no perfil do solo e estudos de anéis de árvores; tomógrafo com resolução micrométrica para análise de porosidade de solos; analisador granulométrico automatizado para solos; coletor de dados para ambiente agropecuário; humectógrafo para medida de água livre na superfície de plantas, medidor de taxa de difusão de oxigênio com potencial redox do solo e sistema inteligente para o monitoramento de silos e secadores agrícolas.
Das tecnologias desenvolvidas, várias foram repassadas ao setor produtivo e ao Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA) como por exemplo: o minitomógrafo de raios X e gama com repasse para o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA-USP), Piracicaba-SP, e Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas-RS; o espectrômetro de RMN para análise do teor de óleo em sementes; o sistema automatizado de monitoramento remoto de variáveis ambientais; os equipamentos de ultra-som para detecção de prenhez em bovinos e eqüinos (em março de 2000, com mais de 2500 equipamentos disponibilizados a clientes), prenhez em pequenos ruminantes e medidor de espessura de toucinho em suínos vivos; o sistema computadorizado para congelamento de embriões; o sistema de análise de ovos; a máquina portátil para derriçar café (desenvolvida em parceria com a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda. (COOXUPÉ); o sistema de coleta de dados para ambiente agropecuário e o sistema para a determinação do volume de gotas de chuva natural e artificial por análise e reconhecimento de padrões em imagens, entre outras.
Além do desenvolvimento de metodologias e tecnologias, a Embrapa Instrumentação Agropecuária conta com um grupo especializado em manutenção de equipamentos laboratoriais para atender as unidades da Embrapa e instituições do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA). Esse grupo realiza cursos para clientes, os quais são desenvolvidos para treinamento em manutenção básica, tendo formado, em quatro anos, mais de 140 técnicos das Unidades da Embrapa, Universidades e outras instituições de pesquisa ou da iniciativa privada.
Com o objetivo de elaborar metas e diretrizes para o período de 2000 a 2003, promoveu-se a revisão do Plano Diretor da Unidade (PDU) que foi editado em 1993 (Embrapa, 1993), em nível de realinhamento estratégico ao atual Plano Diretor da Embrapa (PDE). A metodologia utilizada para a elaboração desse documento que contém o atual Plano Diretor da Embrapa Instrumentação Agropecuária foi desenvolvida considerando inicialmente a análise do ambiente externo, avaliando as oportunidades, ameaças e demandas futuras. Em um segundo momento, foram definidos a Missão e os Valores, que orientam as atividades para o período.
Os resultados das análises realizadas nos ambientes externo e interno à Embrapa Instrumentação Agropecuária sinalizam para que a unidade seja no Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA) a referência nacional e internacional em instrumentação agropecuária, reconhecida pela excelência de sua contribuição técnico-científica e capacidade de propor, no âmbito da instrumentação, soluções inovadoras para o agronegócio.
Assim, os objetivos e metas para os próximos anos visam solucionar problemas, com o uso da instrumentação, nas áreas de agricultura de precisão, meio ambiente, qualidade e rastreabilidade de produtos e matérias-primas oriundas do agronegócio. Este Plano Diretor da Unidade (PDU) também propõe projetos estruturantes e a formação de ações temáticas interdisciplinares para melhorar a eficiência da pesquisa e desenvolvimento da instrumentação em prol da busca de soluções para o agronegócio nacional em sintonia com o Plano Diretor da Empresa (PDE).